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Pós-concessão. A cidade que nasce a partir da concessão do aeroporto

A Fraport arrematou o Aeroporto de Fortaleza por R$ 1,5 bilhão em leilão realizado no último dia 16 FÁBIO LIMA

Concedido à alemã Fraport por 30 anos, o Aeroporto Pinto Martins será motor de desenvolvimento para Fortaleza

 A concessão do Pinto Martins à alemã Fraport AG Frankfurt Airport, que opera o Aeroporto de Frankfurt (Alemanha), deve ser um marco no desenvolvimento de Fortaleza. Da modernização e ampliação do Aeroporto, virão novos negócios, mais empregos, qualificação profissional e maior movimentação turística. Mas não só. Terá de haver planejamento para minimizar efeitos negativos, como impacto no trânsito e meio ambiente.
Estes fatores embarcam nos 30 anos de concessão do aeroporto – prorrogáveis por mais cinco. Neste período, a movimentação de passageiros no Pinto Martins vai quintuplicar, passando dos 5,6 milhões por ano para 29,2 milhões anuais conforme estimativa do Governo Federal. Esses passageiros demandarão da Cidade mais hotéis, restaurantes, comércios e infraestrutura.
O modelo do Aeroporto de Frankfurt é o vislumbrado pelo prefeito Roberto Cláudio, que visitou as instalações alemãs na semana passada, para Fortaleza. Lá, o equipamento está dentro de um complexo aeroportuário, que concentra diversos serviços.
“No entorno do aeroporto (Pinto Martins) a gente cria Zonas de Dinamização Urbanística Socioeconômica (Zedus). É natural que, com incentivos tributários, mudança no plano diretor (da Cidade), no entorno do aeroporto, a gente permita também a instalação de serviços vinculados a aeroportos”, diz o prefeito. A Lei de Uso e Ocupação do Solo de Fortaleza, em tramitação da Câmara Municipal, ganhará emenda para que a Zedus do aeroporto seja incluída.
Assim, o aeroporto se comunicará à Cidade. Além de um projeto da Prefeitura, este também é um desejo da concessionária, que se antecipou ao poder público e anunciou que fará um Plano Mestre de Desenvolvimento Econômico e Urbanístico para os 30 anos.
Entre as ações, deve estar a capacitação de mão de obra local. Foi assim em Frankfurt, onde 81 mil pessoas trabalham no aeroporto, em 450 empresas. É o maior complexo de emprego da Alemanha em um único local. Os empregos indiretos vêm das empresas no entorno. “As cerca de 5,5 milhões de pessoas que vivem na área metropolitana também se beneficiam”, diz a Fraport, em nota ao O POVO.
Também foi assim em Guarulhos (SP), uma das concessões já consolidadas no Brasil, que influenciou, ainda, a valorização imobiliária e o nascimento de empresas no município. “A GRU Aiport (concessionária do terminal paulista) acelerou as obras das vias alternativas para o acesso ao aeroporto e arrecadam dinheiro para o nosso Fundo de Assistência Social”, diz Adam Kubo, diretor de Relações Econômicas da Prefeitura de Guarulhos.
Mas o vento nem sempre sopra positivamente. Romeu Duarte, chefe do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Federal do Ceará (UFC), destaca poluição ambiental e sonora. Esta pela frequência maior de voos, principalmente com a intenção da Fraport em atrair um hub – centro de conexão de voos. A ambiental porque o fluxo de pessoas e veículos aumenta, elevando emissão de carbono.
No plano da Fraport, os impactos devem ser incluídos. Em Frankfurt, apesar de estar aberto 24 horas, para evitar barulho no entorno, tem voos das 5 às 23 horas. O desejo da Fraport é que haja bicicletário no aeroporto.

O prefeito deu ok.

 

BEATRIZ CAVALCANTE/O POVO ONLINE
REDAÇÃO IPU POST

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