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Cantor e compositor Belchior morre no RS

(Foto: Divulgação)
Ipu Post

O cantor e compositor Belchior morreu na noite deste sábado, 29, em Santa Cruz do Rio Grande do Sul, aos 70 anos. Familiares confirmaram o falecimento, entretanto, não informaram a causa da morte. O corpo deve ser trazido para o Ceará.

Segundo a família, Belchior teria feito um pequeno show na noite de ontem na cidade onde morava no Interior do Rio Grande do Sul e teria voltado pra casa reclamando de dor nas costas. Ele dormiu e não acordou mais.

Belchior será velado em sobral, no Teatro São João. Após Sobral, o corpo do artista segue para Fortaleza. A família quer que o velório, em Fortaleza, seja aberto ao público. Depois, Belchior deverá ser enterrado no cemitério Parque da Paz, no túmulo onde estão os pais dele. O POVO apurou que vai mesmo ter velório do Belchior em Fortaleza. O Governo do Estado disponibilizou dois locais para a família: o Theatro José de Alencar ou o Palácio da Abolição. Mas a família ainda não decidiu.

Blog do Jocélio Leal: Governo do Ceará fará traslado do corpo de Belchior

O POVO apurou também que corpo do artista continuava em casa, onde morreu, esperando liberação oficial, por volta das 14h. Os médicos legistas estavam no local. Até aquela hora, ainda não havia emissão do atestado de óbito. Só após esses procedimentos, o corpo poderá ser embalsamado e embarcado para o Ceará.

Em nota, o governador Camilo Santana decretou luto oficial de três dias no Estado e reconheceu a importância de Belchior para a música brasileira. Confira a nota na íntegra:

“Recebi com profundo pesar a notícia da morte do cantor e compositor cearense Belchior. Nascido em Sobral, foi um ícone da Música Popular Brasileira e um dos primeiros cantores nordestinos de MPB a se destacar no País, com mais de 20 discos gravados. O povo cearense enaltece sua história, agradece imensamente por tudo que fez e pelo legado que deixa para a arte do nosso Ceará. Que Deus conforte a família, amigos e fãs de Belchior. O Governo do Estado decretou luto oficial de três dias. 

Camilo Santana 

Governador do Ceará”

 

 

Relembre especial sobre os 70 anos do Belchior comemorado em 2016

O prefeito de Fortaleza, Roberto Cláudio também divulgou nota de pesar.

“A cultura musical cearense e de todo o País, assim como outras expressões das nossas artes, perde uma das suas mais marcantes personalidades. Não há como aferir o tamanho dessa perda que, infelizmente, encerra um longo e grave período de ausência de Belchior entre nós. É hora de nos solidarizarmos com os parentes, amigos e fãs, dentre os quais me incluo, alem de manifestarmos a nossa eterna gratidão por este cearense ter trazido ao mundo uma poesia transcendente em todos os seus aspectos.

Roberto Claudio Rodrigues Bezerra

Prefeito de Fortaleza”

Jornalista Heraldo Pereira também homenageou o artista:

“Belchior é o artista típico da minha geração. Não só pelo que eu vivi no Ceará. Ele é o artista da minha fase anterior ao Ceará. Tive meus primeiros contatos com ele ainda nos anos 70 e 80. Era um artista muito presente na minha cidade – Ribeirão Preto. Era muito presente lá. Foi por onde a musicalidade dele me chegou primeiro. Fiquei muito tocado pelas letras, pelas apresentações. Quantos show dele já vi. Jovem, tive muito contato com essa intelectualidade que o Belchior levou para a música, com letras da maior profundidade. Desde que soube da notícia da morte dele, fiquei muito tocado, porque o Belchior é um ídolo da minha geração. E mais que isso, é um ídolo ainda muito presente na minha vida. Lamento muito, muito mesmo, o falecimento dele. É uma perda muito grande pro País, para a Música Popular Brasileira, para a nossa cultura. Enfim, viva Belchior!

Heraldo Pereira, jornalista”

A Associação Cearense de Imprensa também se manifestou em nota.

“A Associação Cearense de Imprensa (ACI) expressa seu pesar pelo falecimento do cantor e compositor cearense Belchior. Suas canções constituem um legado representativo para a Música Popular Brasileira”.

Secult divulga nota de pesar ” ‘Talvez eu morra jovem, alguma pedra no caminho’ (Belchior)A manhã chuvosa de domingo em Fortaleza veio com a notícia da despedida de Antonio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes, nosso eternamente querido e admirado Belchior. Os cearenses, que assim como os cidadãos de todo o Brasil já enfrentavam a saudade da convivência com o grande cantor, compositor, artista visual, calígrafo, pensador, agitador cultural, bom-papo Belchior, agora se veem perplexos, consternados diante dessa triste notícia, que encerra o sonho de uma volta aos palcos do  autor de “Coração selvagem”, “Como nossos pais”, “Apenas um rapaz latinoamericano”, “Conheço meu lugar”, “Pequeno perfil de um cidadão comum”, “Velha roupa colorida”, “Na hora do almoço”, “Não leve flores”, “Brasileiramente linda”, “Mucuripe” (com Raimundo Fagner), “Chão sagrado” (com Rodger Rogério) e de tantas, tão belas e contundentes canções.

Jovem que nos anos 60 trocou Sobral por Fortaleza e o cobiçado curso de Medicina por uma incerta carreira musical, Belchior integrou a geração que passaria à história como o “Pessoal do Ceará”. Talvez nenhum deles  tenha encontrado tão cedo o grande objetivo do artista quanto Belchior: um discurso próprio, um projeto estético original, um encontro sem igual entre forma e conteúdo, um sotaque inconfundível, porque único, nas suas canções.

O mesmo Belchior que, contam seus parceiros de geração, não soltava o violão nas rodas em que a turma se reunia para mostrar suas novas canções desenvolveu bastante cedo sua própria forma de compor. Os acordes simples acompanhados de apurado senso melódico e lírico, as letras longas, as narrativas fortes, o olhar para os personagens do dia a dia e para as lutas que fazem a história e o mundo, o discurso direto ao coração e à mente do ouvinte, ainda que como um desafio. “Eu quero é que este canto torto feito faca corte a carne de vocês”.

Com a coragem e as canções que já havia escrito na mesma Fortaleza cuja cena musical ajudava a revelar trabalhando como produtor na televisão local, Belchior seguiu o rumo do sul, da sorte, da estrada que seduz, assim como os companheiros de sonho e de som, e foi decisivo, ao vencer o Festival da TV Tupi em 1971 com “Na hora do almoço”, para que muitos deles também se animassem à “diáspora”. Em 1972, lançou “Mucuripe”, na voz do parceiro Fagner, no disco de bolso do Pasquim, música que viria a ser gravada por Elis Regina. Por já ter gravadora, não participou diretamente do disco “Meu corpo, minha embalagem, todo gasto na viagem “, que reuniu Ednardo, Téti e Roger Rogério em 1973 e se tornou conhecido como “Pessoal do Ceará”. O primeiro disco veio em 1974. Em 1975, Rodger e Téti lançam o LP “Chão Sagrado”, tendo como faixa título a parceria entre Belchior e Rodger. Vem então o segundo disco próprio, em 1976, o clássico “Alucinação”, que, junto a novas gravações de canções suas por Elis, consolidou-o no patamar dos grandes compositores brasileiros da então nova geração.

Além de se despedir da genialidade, do lirismo e da contundência de Belchior, de sua magistral reinvenção da canção popular brasileira, capaz de levar a todas as classes sociais temas densos e profundos, também embalados em espírito crítico, irônico, transformador, o Ceará diz adeus neste domingo a um sonho cultivado por seus cidadãos: o de ver Belchior, na hora que ele julgasse acertada, retornar a nosso Estado e, quem sabe, também aos palcos e estúdios. Com a certeza de muitas e maravilhosas coisas novas pra dizer. Além da importância de sua vasta obra musical, que merece ser cada vez mais estudada, conhecida e reconhecida para além dos grandes sucessos, ficam para sempre nos corações dos cearenses o sorriso, a verve e as canções do eterno Bel. Porque viver é melhor que sonhar. Fabiano dos Santos PiúbaSecretário da Cultura do Estado do Ceará”

 

Fonte: O Povo Online
Redação Ipu Post

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