Ceará

Ceará pode ser o primeiro Estado a atingir pico do novo coronavírus

Até à tarde de ontem, no Ceará, 824 pessoas foram identificadas com o vírus e o número de mortes subiu para 26
Pesquisadores alertam que a velocidade de propagação do vírus é alta no Estado e estimam que até o dia 8 deste mês serão mais de 3 mil casos da Covid-19, somando com os 824 infectados e 26 mortos divulgados até ontem
 

Um boletim produzido pela Rede CoVida, iniciativa da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), estima que o Ceará, atualmente, com 824 casos positivos, deve ser o primeiro Estado no País a atingir o nível máximo de infecções pelo novo coronavírus, a partir do dia 25 de abril. Já no início do mês, os cálculos estimam que o Estado terá 3.053 pessoas infectadas e deve ultrapassar o Rio de Janeiro (2.887) em número de casos, ficando atrás de São Paulo (11.684), na quarta-feira (8).

O cenário no País no dia 25 deste mês deve ser cerca de 21 mil pessoas infectadas pelo vírus Sars-CoV-2 e mais de 500 mortes pela doença, a Covid-19. As projeções dos pesquisadores, entre estatísticos, epidemiologistas, físicos, cientistas da computação, economistas e comunicólogos, além de outros profissionais, buscam contribuir para as ações de enfrentamento da doença com conhecimento. O grupo também tem apoio da Universidade Federal da Bahia (UFBA).

Para o relatório, publicado nesta última semana, os cientistas calcularam o potencial de reprodução da doença como forma de identificar a velocidade com que o novo coronavírus se espalha nos estados brasileiros. São analisadas, assim, a taxa de transmissão e os registros de cura e de óbito nas localidades. Um dos fatores definidos é o de reprodução, R0 – acima de 1 indica que a propagação do vírus está em expansão. No Ceará, esse fator é de 2,56 e por meio dele foi projetada a data para o pico dos casos no Estado de 25 de abril.

Na Itália, por exemplo, onde a propagação do vírus desperta atenção global, a taxa R0 é de 3, como é destacado no relatório. Outros estados também estão no radar dos pesquisadores como Minas Gerais, Distrito Federal, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O modelo usado pelos pesquisadores, Suscetíveis, Infectados e Recuperados (SIR), considera que os casos de cura da Covid-19 não podem ser infectados novamente. Ainda assim, os estudiosos indicam que há trabalhos sobre a possibilidade de o paciente adoecer uma segunda vez pelo vírus. Até à tarde de ontem, no Ceará, 824 pessoas foram identificadas com o vírus e o número de mortes subiu para 26, conforme atualização da plataforma IntegraSUS. Fortaleza mantém o maior número de infectados (744) e de óbitos (20). Dos 184 municípios cearenses, 23 já apresentam confirmações da Covid-19. O último a entrar na lista foi Pedra Branca, com um caso.

As estatísticas divulgadas pela Rede CoVida detalham o cenário da Bahia, Estado onde a pesquisa foi produzida, mas a pedido do Sistema Verdes Mares os cientistas devem estimar o número de infectados e o registro de óbitos no pico indicado no relatório. Também foi solicitada à Secretaria de Saúde do Ceará a estimativa com a qual o Governo baseia suas ações, mas a Pasta não enviou resposta à demanda.

Fase inicial
Medidas como distanciamento social e restrição da circulação de pessoas nas ruas ainda estão sendo analisadas pelos pesquisadores. Os resultados das ações de contingenciamento da doença, reforçadas pelo grupo, devem ser demonstrados nos próximos boletins que a Rede CoVida deve publicar semanalmente.

O governador Camilo Santana anunciou, no último sábado (4), a extensão do decreto que proíbe o funcionamento de estabelecimentos comerciais até o dia 20 de abril. As atividades estão paralisadas desde o dia 20 de março. Também foram suspensas as aulas presenciais em todas as modalidades de ensino até o início de maio pelo Governo do Estado. Tais medidas são baseadas em estudos científicos como forma de conter o avanço da doença no Ceará, como argumentou o governador.

Na análises dos pesquisadores da Bahia, no modelo SIR, os parâmetros e as comparações são feitas com experiências anteriores de propagação de doenças e avaliam os padrões observados nas populações. “No decorrer da epidemia e com os avanços dos conhecimentos sobre as suas características em nosso contexto, os parâmetros vão sendo melhor definidos e os modelos vão sendo qualificados, tornando-se mais robustos e incrementando a sua capacidade preditiva”, reforçam no artigo os especialistas.

As informações utilizadas para a projeção são colhidas nas secretarias estaduais da saúde devido às inconsistências observadas entre os dados divulgados por estes órgãos e pelo Ministério da Saúde. “Temos a convicção de que esforços estão sendo feitos para a correção destes problemas e que poderemos ter um sistema aperfeiçoado dos dados oficiais da epidemia”, pontuam.

 

Fonte: Diário do Nordeste

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