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Ipu (CE): Antigo Grêmio Ipuense – A morte do finado que já estava morto

Antes de falar em demolições de prédios antigos é preciso avaliar o valor arquitetônico, simbólico ou histórico do prédio em questão. Você não pode querer que um prédio antigo, no meio da cidade, seja preservado somente sobre a alegação de que ele é “antigo”. Existem prédios a se preservados e outros que devem vir a chão para dar lugar a modernidade.

Como seria, por exemplo, o Centro da Cidade de Ipu se nenhum prédio antigo, ao redor do Mercado Público e ruas que cercam a Praça de Iracema, não tivessem sido demolidos ou reformados para abrigar edificações novas e modernas?

O antigo Palacete Iracema foi fundado em 12 de outubro de 1924 e durante muito tempo, ele abrigou o Grêmio Ipuense, principal clube dançante da cidade de Ipu, mas com o passar dos anos, o espaço tornou-se pequeno para os grandes eventos da sociedade ipuense.

A quadra de futsal já não tinha capacidade e nem estrutura para receber grandes partidas de futsal. O salão de festa ficou pequeno para os carnavais que foram remanejados para o clube da AABB. O palco que recebia shows de grandes bandas da época: Som Maior, Black Banda, João Inácio Jr e Banda Malícia, Banda Passaport, Carlos Rilmar, shows nacionais como o da cantora e dançarina Gretchen, no início dos anos 80 e 90, hoje não comportaria Aviões do Forró, Wesley Safadão e nem mesmo shows de bandas mais modestas.

O Grêmio Ipuense foi vendido no final dos anos 90 e todas as lembranças ficaram no passado. O local viu surgir casais que até hoje vivem juntos, mas também foi palco do fim de várias histórias de amor.

Nos salões do antigo Grêmio Ipuense, vivemos momentos que jamais vamos esquecer e que ficaram eternizados em nossa memória, mas, atualmente, quando as pessoas entravam no prédio do antigo Grêmio Ipuense não restavam nem lembranças do passado, pois o que se via era apenas a agência da Caixa Econômica Federal. Não existiam mais o palco, o piso de madeira, as escadas (arquibancadas), a rampa lateral, o antigo bar em baixo do palco, os refletores, vestiários (banheiros) e a quadra de futsal.

Para melhor entender: O Antigo Grêmio Ipuense já havia sido demolido, há muito tempo! Então os saudosistas hoje estão reclamando de que mesmo? Da morte do finado que já estava morto?

O antigo Grêmio Ipuense que dará lugar a um posto de combustível que será erguido no coração da cidade.

O antigo Grêmio Ipuense já não exista mais

O que está sendo demolido são apenas duas paredes que restaram do antigo Grêmio Ipuense que já não despertavam as minhas lembranças. As minhas recordações não estão sendo demolidas, pois estas já foram eternizadas no momento em que os sócios venderam o antigo Grêmio Ipuense, quando nem um dos saudosistas de hoje apareceram para comprar, dispostos a conservar e preservar a história.

O novo proprietário tem é de usufruir do prédio que ele comprou. Ele não é o “menos culpado”, pois ele não tem é “culpado nenhuma”. Ele comprou porque os sócios queriam vender e ele ofereceu a melhor oferta.

Se o prédio ficasse fechado, ele se transformaria em um castelo mal assombrado, cheio de morcegos, no meio da cidade, porque o prédio não era público para as autoridades administrar e zelar.

Valorizo a cultura e a nossa arquitetura com belas e imponentes edificações. Acho lindo os palacetes que existem em Fortaleza, São Paulo, Rio de Janeiro, mas em relação a minha cidade Ipu/CE, onde temos a obra de Archimedes Memória, vejo na grande maioria prédios velhos precisando dar lugar a modernidade.

Uma cidade pequena que busca o desenvolvimento e ainda mais em tempo de crises não tem recursos para manter prédios antigos sem que os mesmos não tenham potencial para atrair turistas. Que interesse teriam os turistas em visitar o antigo Prédio do Grêmio Ipuense? Foi nos salões do clube onde a Índia Iracema pulava os carnavais com o seu amado Guerreiro Branco? Até mesmo para os cidadãos ipuenses, eu fico a imaginar que interesse teriam em visitar os antigos salões do Grêmio Ipuense?

Você que é amante da arquitetura, passaria quantas horas admirando a edificação do antigo Grêmio Ipuense?

Toda cidade deveria ter uma dezena de prédios históricos preservados por Tombamento para a preservação do Patrimônio Cultural Brasileiro. No Ipu temos a Igrejinha, Estação Ferroviária, Antiga Prefeitura, Patronato Sousa Carvalho, Igreja Matriz, Casa de Cultura e outros que são prédios com história e valor simbólico.

O problema é que a cada casa antiga demolida em Ipu, as pessoas ficam criticando os donos dos imóveis ou querem responsabilizar o poder público pela demolição.

Algumas pessoas recebem como herança de família somente um antigo casarão ou prédio e necessitam vender para repartir os valores entre os herdeiros. Se alguém não quer a demolição dos antigos casarões ou prédios, pois que comprem e mantenham as edificações, por amor a cultura e arquitetura.

Não podemos criar uma sociedade sem apreço pelo Patrimônio Cultural Brasileiro, mas também não temos espaços para pessoas que reclamam sempre que um antigo casarão ou prédio é demolido, sem que este não tenha o seu valor arquitetônico, simbólico ou histórico que justifique um tombamento.

Eu adorava o casarão antigo da minha família, bem em frente a Praça da Iracema, onde hoje tem a Ótica Vizon e a loja da Boticário. Mas não posso negar que os alugueis das lojas e apartamento, construídos no local, são importantes para a minha família. Se continuasse o antigo casarão, certamente, seria apenas prejuízo para a família, pois quem estaria disposto a alugar um antigo casarão, grande para ser cuidado, com um telhado alto, cheio de esconderijos para morcegos? Se alugasse, o valor seria compensatório.

Fonte: Netcina/Luiz Fernando
Redação Ipu Post

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